Minibibliotecas da Embrapa estimulam acesso ao conhecimento

FOTO 03 - Durante Mostra de Cièncias, estudantes pintam as flores da Caatinga - crédito Rafaela ButtnerDespertar a curiosidade para a busca do conhecimento científico contextualizado ao Bioma Caatinga. Formar leitores, em um processo de inclusão social e cultural. Levar a informação para fora do espaço físico da biblioteca. São esses os objetivos que levaram a economista Cláudia Mara Baldim Ribeiro, do Instituto Nacional do Semiárido, unidade de pesquisa integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Insa/MCTI), com sede em Campina Grande (PB), a criar o projeto “Lendo é que se Faz”. Ações que começaram de maneira tímida, mas que hoje já repercutem no universo de 600 crianças e adolescentes de escolas públicas fazendo a diferença em seu dia a dia.

O projeto “Lendo é que se Faz” utiliza as publicações do acervo das Minibibliotecas da Embrapa, bem como outras produções de parceiros, como as da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA); do Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada (IRPAA); e publicações técnicas dos próprios pesquisadores do Insa, para levar informações técnico-científicas aos estudantes de dez escolas rurais de Campina Grande (PB).

“Inicialmente, percorremos as escolas realizando com a comunidade um diagnóstico socioambiental, no qual mapeamos, por exemplo, quantidade de hortas cultivadas, jardins, coleta seletiva, formas de uso da água e existência de cisternas, para, a partir daí, discutirmos com as comunidades projetos e ações voltados para a popularização da ciência, que pudessem despertar o interesse de professores e alunos”, detalha Claúdia Mara, mineira de Três Corações, e moradora de Campina Grande há mais de oito anos.

Biblioteca itinerante – Com o mapeamento em mãos e o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Campina Grande, a equipe do Insa apresentou a Minibiblioteca às comunidades. Como esse instituto possui apenas um kit – acervo formado por publicações impressas (livros e cartilhas) e material audiovisual, com vídeos do programa Dia de Campo na TV e áudios do programa Prosa Rural, e um kit expositor para acondicionamento-, o caminho encontrado foi fazer um trabalho itinerante.

Assim, o kit de Minibibliotecas permaneceu por 15 dias em cada uma das dez escolas rurais, para que professores e alunos selecionassem as publicações com as quais desejavam trabalhar, conforme seu interesse no tema. Na Escola Estadual Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, por exemplo, a diretora Heddylamar Farias das Neves conta que a comunidade utilizou publicações do acervo para trabalhar os temas água, conservação ambiental, hortas e alimentação saudável.

FOTO 02- Crianças de escolas rurais participam do Projeto Lendo é que se Faz - crédito Rafaela ButtnerA partir da leitura de títulos da coleção Cartilhas dos Jogos Ambientais da Ema – composta por sete volumes com informações sobre água, solo, lixo, qualidade de vida, ar e bichos –, os alunos trabalharam a questão da água: bem hoje escasso e precioso para as escolas rurais, tendo-se em vista os poucos dias de chuva em 2015, e o fato de uma parte dos estabelecimentos ainda não contarem com as cisternas para captação da água das chuvas tanto para consumo humano quanto para a agricultura.

O resultado foi a produção de um vídeo sobre o uso do dessalinizador, equipamento que transforma água salgada em potável sem o uso de energia elétrica; bem como a elaboração da cartilha Água o bem de todos, ambos os produtos apresentados aos pais durante mostra pedagógica.

Receitas com feijão – Outro desdobramento do uso do acervo foi culinário. A partir da leitura de livros da Embrapa, como, por exemplo, Delícias com arroz e feijão e Emília e a turma do sítio – arroz e feijão, o par perfeito, as crianças experimentaram receitas nutritivas, como de brigadeiro e de bolo de feijão.

Para Heddylamar Farias, o maior ganho do trabalho foi a oportunidade que a comunidade teve de acessar informações até então desconhecidas e de grande importância para quem vive numa área rural onde a economia local é movimentada pela pequena produção agrícola e de animais, e por recursos recebidos do Programa Bolsa Família. “Para nós foi uma experiência maravilhosa, principalmente porque nossa escola está localizada em uma região onde não se tem muitas oportunidades”, destaca.

foto 01 - Projeto Lendo é que se Faz _ logomarca do projeto_ imagem cedida pelo InsaFacebook – Os resultados dos trabalhos das dez escolas podem ser conferidos na página do facebook “Lendo é que se Faz”, espaço criado por Cláudia Mara para a apresentação das experiências vivenciadas pelos alunos e professores.

“A metodologia utiliza publicações e conhecimentos contextualizados à realidade do Semiárido brasileiro. Dentro das atividades de aprendizagem estão visitas a bibliotecas, a museus, a lugares com práticas agroecológicas e a campos experimentais; palestras e rodas de leituras. Temos até um “mascote”, conta orgulhosa a economista. O espantalho “Sapeca” – personagem do livro A menina e espantalho, de autoria dos empregados da Embrapa, Francisco das Chagas Martins e Ismar Maciel –, hoje é o mascote do projeto.

Acesse aqui para conhecer o site das Minibibliotecas

Texto: Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)      Fotos: Rafaela Buttner
Embrapa Informação Tecnológica

Telefone: 61 – 3448 – 2493

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